domingo, 18 de maio de 2008

A dor de Ser.


Hoje não há introdução. Não há nada com exatidão, então ficaremos com o silêncio das palavras, e as entrelinhas pertecem a vocês.

"Não há amor de viver sem desespero de viver".


A dor de Ser.

Eu poderia suportar qualquer dor que não fosse essa dor criada por mim.
Ela pulsa, geme, grita e agoniza. E não sai lágrimas, e não dói o corpo.
Machuca e não sangra.
Sinto-me suja como as ruas após a grande ventania.
Quero limpar-me o seio com pingos de vela escaldante de quente.
Quero correr para outros mundos que não me dilaceram como esse.
Conhecer novas artes que não me tortura como essa que estou a pintar.
Quero respirar novos ares que não sejam esses que estão a me sufocar.
Voar, voar... Até o mais infinito estar. Estado de graça, estado puro e primitivo do meu ser.
Comer o liquido branco da barata; entender o amor no seu mais deformado estado, sem moldes, sem parasitas, apenas com a dor de nascer e nada entender. Pois a dor de entender fere mais.
Quero habitar o nada e limpar-me deste tudo que tanto me coroe.
Transgredir a um sagrado e livrar-me das ânsias mundanas.
Quero viver em outro eu que não seja o meu.
Desejo o meu pélago, o meu mais profundo coexistir.
Pois não agüento mais essa dor de deparar com as surpresas do meu existir.
Dói e fere ficar aqui.
Quero deixar de tragar esse inteligível mundo. Para poder aspirar ao entendimento do meu eu paleolítico.
Como causa susto viver... Como causa susto o que foge da compreensão.
Não quero a morte porque ela é pouco e fácil. Quero a tarefa mais difícil, quero entender o meu oficio.
E assim viver na pacata e bucólica paz, pois não desejo mais o aprendizado do espírito aflito. Eu abro mão dele, para respirar a embriaguez de puro dos santos.
O santos aliviam as dores, e dói Ser.

Daniella Paula.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A PAIXÃO DO SERESTEIRO

Bom Dia! =)
Acordei apaixonada pela noite! =D

Falaremos então, da paixão do Seresteiro.

Boa leitura!

A Paixão Do Seresteiro

Lá se vai o seresteiro da noite
Disvirginar a madrugada.
Esse é o seu papel de ser,
E ele todos os dias ao pôr do sol
Realiza o seu teatro.
Apaixona-se e faz apaixonar.
Encanta e é desencantado.
Ama e faz ser amado.
Mas tudo se finda no primeiro raio de sol.
É quando ele volta a ser o homem preso em sua gaiola.
Esquece a dureza da liberdade,
E acostuma-se com o conforto das algemas.
Na anunciação da aurora,
Seus olhos choram, já com a saudade da noite.
E quando se vê abrindo seus olhos, nada quer enxergar.
Quer ver apenas a escuridão poética da noite.
Não deseja o calor do dia,
Porém se enlouquece de tesão com o frio da madrugada.
Entristece-se com o café preto, amargo e caótico que representa a manhã.
Endurece-se com o cantar dos pássaros que avisam o seu percurso do dia.
Enquanto a banal platéia se alegra com o nascer dos primeiros raios de sol,
O seresteiro se enfurece com a ardente esperança inventada.
Ele gosta é a da noite, cria da sua costela.
Gosta é da madrugada, sua magrela recalcada.
Gosta das suas paixões instantâneas;
Dos seus instantes repentinos de êxtase sagrado;
Das suas serenatas em noites de lua cheia;
Do seu vinho doce e quente;
Dos raios mais perceptivos durante a escuridão;
Ele gosta é do seu teatro.
Ama o manto negro da noite e o sereno da madrugada.
O silêncio do escuro.
A solidão da lua.
O sagrado da boêmia.
A exaltação da superação de mais um dia que a noite traz.
Ama o descanso do fim do dia.
O murmúrio dos fantasmas noturnos.
A canção do vento cantada com o obscuro.
Os compositores sonâmbulos.
Os andarilhos sem rumo, sem nomes e sem lares, traiçoeiros e vulgares.
As ruas vazias, distantes da multidão do dia.
O céu da noite, quando ele tem estrelas e quando não as tem.
Porque entende que o céu da noite é sábio o suficiente para saber, quando deve e quando não deve, soltar suas meninas.
O seresteiro detesta a farsa das prostitutas da tarde.
E se encanta com as suas pernas de fora durante a noite.
Não suporta a forma de ganhar dinheiro durante as manhãs.
Idolatra os poetas e cantores noturnos, que passam o dia dormindo;
Assim como idolatra a insônia dos andantes.
E o perigo dos amantes.
Vibra com os olhos cansados percorrendo linhas e linhas, de um livro lido durante o “chegar a casa”.
Excita-se com os perfumes fortes e misturados dos boêmios.
Enjoa-se com o cheiro cítrico das manhãs e das tardes.
Fascina-se com o silêncio dos apreciadores da madrugada.
Enfurece-se com o barulho escaldante da fábrica ligada.
Ele só sente o sabor da comida a noite, quando é possível apreciá-la sem a pressa do almoço.
O seresteiro enche seu peito de paz ao ver os sonos das crianças.
E de vida ao ver o choro do recém-nascido e a perca de sono dos seus pais.
Os automóveis correndo em direção contrária e correndo, porque na madrugada é possível.
Na madrugada tudo é possível.
E quando surge o raiar do dia, o seresteiro sente uma dor no cotovelo, uma melancolia de falsa esperança, uma enxaqueca inventada, uma angústia sem ritmo, uma fome do que não seja óbvio, uma nostalgia.
O seresteiro tem tanto da noite que ambos se confundem.
Ele a tem como paixão, enquanto ela o recebe apaixonada.

Daniella Paula

E o agradecimento de hoje irá ao Senhor Edinásio. Ele diz ser meu apreciador, diz que eu sou "os dedos que falam" e "os olhos que guiam", mas na verdade, ele é quem é uma espécie de "sacerdote" literário em minha vida, e receber qualquer palavra que venha dele é sempre uma honra para mim. Sobre o texto poético, ele o resume em "a embriaguez da noite". Coisas de homem sensível. Quando disse a ele, que postaria o texto aqui, ele logo avisou: Mande cuidarem bem da minha noite e terem sensibilidade ao ler suas palavras. =) Achei isso lindo!
Um agradecimento em forma de sentimento puro a ele.

E muito obrigada a todos vocês! São incríveis acariciadores da minha alma.
Dani.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Grande Ritual


Boa tarde minhas senhoras, boa tarde meus senhores!

A Gruta me desmascarou! :p (rsrsrs).
Por mais que a razão literária e hermenêutica nos dizem para não julgar o autor pelo texto, não tem jeito, por mim, acaba sendo um reflexo.

Bem, eu não consegui fazer algo que relate o que foi o Show de Maria Bethânia e Omara Portuondo. Mas como tentei e disse que voltaria para contar, postarei alguma coisa que as palavras conseguiram expressar.
E o que eu não consigo dizer é mais importante.
Portanto, ficará aqui apenas o que a minha sensibilidade (com uma dose exorbitante de “fã-nátismo-bethânico”) conseguiu descrever.
Desculpam-me a minha falta de capacidade de relatos grandes. Esse show ultrapassou os meus limites de Estar. Atingiu o meu limite de Ser. E me adentrar e exteriorizar o que há dentro é sempre muito difícil para mim. Dessa vez, espero compreensão.

Que vocês gostem do espetáculo de Dona Maria e Dona Omara, contado por Daniella. =)
Bom show, senhores!


O Grande Ritual


E como um vulcão borbulhante de fogo movediço ela entrou em seu território.
Fez-se então, os delírios dos outros.
Não há que não entre em transe ao vê-la em seu palco iluminado, e seus olhos vestidos de dourado, seu corpo transcendendo toda leveza que possa existir. Ela nos fazendo coexistir.
Sua voz que nos arrebata a outras infinitudes.
E ela canta.
Canta como se estivesse fazendo um amor sagrado, num templo pagão.
E as suas mãos...
Suas mãos dançam em direção às faíscas deixadas pelas palavras. Assim elas tomam voz.
E quando faz silêncio, sentada ao contemplar o papel de ser da outra, ela nos permite o êxtase de saboreá-la sem letra.
E o coração palpita com a agonia de não poder tocá-la. Mas a razão agradece por esse fato, pois sabe que seria invadida pela emoção.
E o sangue ferve em banho escaldante ao senti-la próxima e palpável aos olhos.
E os pés se retorcem com vontade de sair do chão e flutuar juntamente com os pés dela, ao lugar de sua exaltação.
A boca seca por faltar palavras. A boca molha por sobrar sedução.
E ela seduz.
Seduz como a serpente querendo devorar.
Devora como ondas fortes do mar.
Sorri como se fizéssemos parte do seu sorriso.
Ela invade nosso riso.
Ela transborda nossas pupilas de lágrimas.
Interpreta nossos sentimentos, nos amarra com os seus cabelos e nos arremata com as suas pernas.
Incorpora o swing das negras, se retorce como se quisesse sair de si. E sai.
Ali é a entidade pagã, e ao mesmo tempo sagrada.
Ali ela nos permite o puro e o pecado. A perdição e a salvação. O êxtase e a loucura. O grito e o silêncio. O morrer e o renascer. O machucar e o curar.
Depois ela nos toma toda com os seus olhos forjados e seus agradecimentos falaciosos e divinos.
Encosta a ponta dos dedos no chão sagrado, e como se fosse uma menina sorrateira, declama: “Obrigada Senhores!”.
Fecha as mãos, aperta o punho e nos concebe a graça.
E depois se vá, com os dedos apontando o céu. Deixando-nos a glória, e com tanta explosão que não sabemos o que fazer com tudo aquilo depois.
É mais que um espetáculo, é um ritual, é um despersonalizar para se recriar ali.

Salve, salve Bethânia!

Daniella Paula

É pouco, é muito pouco para tudo que vivi. Mas, eis ai um "fragmento" de uma noite sagrada.

Ao final do show, conseguimos (eu e Ângela) um encontro com ela. Foi quando vi a Maria Bethânia humana. Um abraço acolhedor, um sorriso doce e forte, olhos fixos e atenciosos, um cangote cheiroso (rsrs), uma cintura fina, cabelos presos, pés pequenos, baixa estatura (mas para mim continua gigante), uma voz mais rouca e mais grossa do que apresenta e mãos que falam; e que seguraram firmes nas minhas e soaram fé, amor e humanidade.

E os agradecimentos de hoje irão a Deus, primeiramente, por ter nos concebido tamanho Ser Humano. Depois a Iansã que é o orixá de Bethânia, por ter feito tamanha proeza, com tanta leveza. E a Ângela, novamente, por ter me dado a oportunidade de estar com ela, e a Jô que nos colocou tão perto de Bethânia que dava para "comer" seu cuspi (rsrsrs).

Maribeth arrasa!!! É linda em todos os sentidos (Sim, eu consigo achá-la!).

E eu não vejo a hora de estar novamente, em mais um "ritual bethânico"! E dessa vez é rezar, para que a arritmia cardíaca não ataque, ou ataque de vez e eu possa desmaiar nos braços dela...(rsrsrs).

Beijos grandes a todos vocês. Muito obrigada pelo carinho, pelas belas palavras, pelo o entendimento dos meus "eus", por passarem as mãos em meus cabelos e me fazerem tão especial.
Obrigada por rever e reviver comigo =)

Muito Obrigada Senhores!

domingo, 27 de abril de 2008

A gruta.


Boa madrugada gente bela! =)


Sabem, ainda não consegui algo palpável aos olhos para falar sobre o show da Grande. Portanto, publicarei outra coisa. Até que meus dedos encontrem algo para definir o encontro com MARIA BETHÂNIA.
Por hoje, falarei de outro encontro. O encontro com a Gruta. A gruta interior que há em nós. Essa (talvez) seja a minha. Espero que de alguma forma vocês se encontrem e se percam dentro das suas grutas e dentro da minha gruta.
Lembrando-os que nada aqui é pretensioso. Só quero ser. E quero que vocês sejam, pois aqui NÓS PODEMOS SER!

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses. (Sócrates)

Mãos a obra senhores:


A GRUTA

Perder-me nessa gruta silenciosa diferencia-me das criaturas que apenas vivem.
Ela me cala perante a sua nebulosa e escura face. Face negra em contraste com o branco pálido.
Quando quebro a máscara que me retém, que me faz ser vista nos olhos dos demais, deparo com essa gruta. Obscura, tempestuosa, lacrimosa, sangrenta e sonhadora gruta.
É ela quem me faz. Não a simbólica máscara bela.
É então, que me quebro em pedaços, para saber em quantos pedaços se faz alguém como eu.
Nada descubro. Somente o escuro. E para se ver no escuro, é preciso fechar os olhos.
A gruta é infinda; cheia de labirintos que nos leva a mais assustadora descoberta.
Surge-se o susto de viver. Surge-se o susto de ser eu.
Às vezes não quero voltar, quero ficar dentro dela, pois me perder nela significa encontrar comigo.
É um duro, denso, intenso e escuro encontro. Mas é ele quem me dignifica.
Quando sinto vontade de abortar o meu caminho, adentro a gruta, é quando ela me pega pelas mãos (que é, juntamente com os olhos, a parte do meu corpo que pensa) e me mostra os deuses. Quando os vejo dentro dela, perco a coragem dessa vontade, pois não ousaria modificar os seus (bobos) desígnios. E acabo por abortá-lo dias, há dias.
Os nossos encontros sangram como a menstruação da lua. Machuca como a navalha do medo. Assusta como o nascer. Porém, enobrece como o doce e rotineiro amanhecer.
As diversas criaturas que há em mim, são soltas quando entro em contato com a gruta. Elas se alegram e gritam como lobos famintos devorando a ovelha.
As ovelhas que sobram, voltam a viver na máscara.
A gruta maltrata, sim. Mas sem ela acharia que teria fim. E o fim nos faz crer que acabou. Ela não me permite isso, quando estamos juntas, percebo o eco, e ele é eterno.
São encontros que me deixam exaurida, me cansa os olhos, tomam a minha voz, comem minha respiração, bebem do meu odor, saboreiam o meu cheiro e que por fim me enchem de perguntas que me fazem viver para obter respostas.
Talvez a gruta seja uma deusa (cada um tem uma deusa dentro de si, sendo assim), pois é ela quem me salva. E tem o mesmo veneno e quentura materna; coisas de deusas.

Ao revirar da minha consciência para dentro do meu corpo, do meu espírito, encontro a gruta. Ela não sorri muito, mas percebe-se o brilho em seus olhos a me ver chegar. Nunca puxa uma cadeira para eu sentar, ela tem o propósito de fazer com que o encontro seja desconfortável, porém quente. Dá-me um líquido amargo para eu beber, chamado lágrimas. E um pote de doce chamado coragem.
Ela, toda imponente, senta-se no chão e me manda permanecer de pé.
Mostra-me a minha face escura, e os labirintos que há nela. Por vezes, sinto muito medo e tenho vontade de voltar. Mas a silenciosa gruta é amiga, e sempre me traz de volta, por mais que ela queira que eu permaneça lá.
Eu me perco dentro dela, em todos os nossos encontros. E tenho muito medo de me achar. E vivo nesse conflito do medo de me perder e do medo de me encontrar.
Quando saio da gruta, saio sensibilizada com os caminhos, perco a vontade de abortá-lo. Sinto prazer em meu odor e repudio o meu cheiro. Passo a gostar do escuro e a preservar a luz. Eu me torno o seu prosélito. Ela se torna a minha pastora.
Conseqüentemente, isso é promulgado. Os mais sensíveis percebem que com ela eu me encontrei, que com ela eu me perdi.Ela é o infinito que me fará eterna.


Daniella Paula


Essa uma exaustão de alma. Como já disse por aqui, não espero a compreensão, isso é demasiado para mim. Busco apenas ser amada, com essa gruta, com esse palco, com essa peça. =)
Relembro as palavras belas de Josemaría Escrivá, que nos diz: O conhecimento próprio leva-nos como que pela mão à humildade.

O agradecimento de hoje vai à VIDA. Que veio hoje com o nome de: Gustavo! Meu lindo sobrinho. Que eu infinitamente já amo. Deus abençoe seus passos na Terra e os seus olhos no mundo.

Obrigada a todos vocês que deixam estrelar os mais belos sentimentos no meu céu.

Com carinho: Dani.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O meu Amado Recife!


Que saudade disso aqui!

Estive em Recife. Meu Deus! O que é aquilo? Não sei descrever. Talvez meus olhos saibam. Quem olhar para eles, quando eu disser a palavra: Recife! Compreenderá.
Nem saberei descrever tudo que lá vivi, todos que lá conheci, todos e tudo que lá deixei e que na mais doce lembrança veio comigo.
Sinto tanto saudade!
“Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.”

Dona Sophia (Sophia de Mello Breyner) tem a melhor definição sobre essa saudade:
"Num deserto sem água, numa noite sem lua, numa terra nua, por maior que seja o desespero, nenhuma ausência é mais profunda que a tua!"

Tentei fazer algo, com uma literatura um tanto sem base, simplória, inofensiva, modesta, vã e que não chega nem na mais vaga idéia de grandeza e beleza de Recife; para tentar explicar, tão belo e tão forte foi o que lá vivi e senti. Não espero a compreensão, é muito para mim, não mereço tanto. Porém, espero que vocês sintam, pelo menos, umas cócegas nos olhos, uma faísca de luz recifense no coração.

Vamos até Recife:

O meu Amado Recife!

As ondas que deixam suas mensagens poéticas na areia.
O céu azul que se finda dentro de nós, mas que se infinita no seu leito eterno.
As ruas loucas de pensamentos tontos, embriagadas pelo cheiro da maresia.
As longas e árduas ladeiras, fazendo o seu barroco faiscar-se.
A voz negra das esquinas, que canta o eco do estomago.
A pisada das danças que fazem cintilar a beleza dramática do coexistir.
As morenas, as negritas, as azuladas, as negras ouriçadas colam seus corpos esculturais no corpo das esculturas locais. Tornando-as uma só.
A arte crente, orgástica, que nos mostra o talento infindável dos seus filhos prodígios.
Os seus poetas célebres, os seus poetas andarilhos, sua literatura de cordel, seus dedos mágicos, tudo o torna o depósito de pensamentos humanos.
O rio ao lado do mar, o mar ao lado do rio e eu sorrio, porque sobre isso, só o singelo sorriso sabe explicar.
Os vendedores ambulantes que se tornam amantes dos becos e dos mares.
A brisa doce, com gosto de mungunzá e suco cajá.
O vento que dilacera a alma, e que em nenhum outro lugar há de ventar.
O Capibaribe e o Beberibe que o corta, deixando-o em estilhaços de água lacrimais e inebriante de luz.
Seu povo honroso, sua brasília teimosa; seus órgãos sujos, em contraste com seus poros imaculados.
Brennand e sua floresta, seu oxóssi de mistério, sua mente de luxúria, suas mãos de loucura, encantam a cidade, desvirginada pelo seu sexual puro.
Os inteligentes navios ancorados. Os sábios pescadores descansados.
E o mar...
Ah, o mar!
Ele que nos quebra com seu aconchegante abraço; que nos dá rasteira com suas coxas grossas; que nos ama com seu órgão quente; que nos beija com sua boca salgada; que sussurra ao “pé” dos nossos ouvidos sua louca e inconstante música; que entranha suas entranhas em nossas entranhas; que faz da sua calma um estardalhaço; que pinta em seu céu sua obra de arte azul nostálgica; que declama na areia suas poesias falácias; que limpa nossas diversas almas e arrebata nosso frágil espírito.
Ele. Ele único e soberano, perto de nós, frágeis mutantes.
O homem grande, a mulher gigante. O deus Posêidon, a deusa Iemanjá. Ambos se incorporam e tornam um só: O mar, o mar.
E pode haver outros mares, mas nenhum igual ao de lá.
Vivo a imaginar, o dia em que poderei voltar a ficar no seu corpo colada, como o baobá enraizado na sua terra.


Daniella Paula


Depois que voltei, escrevo todos os dias. Gostaria de postar tudo aqui, mas é pretensão demais. E vocês enjoariam de tanto amor ao mar, a Recife, às ondas, às ruas, às pontes, às pessoas...

Obrigada pelo carinho aconchegante de todos. Depois, postarei sobre o GRANDE SHOW DE MARIA BETHÂNIA - Minha Primavera maior.


E os agradecimentos de hoje irão, primeiramente, a Recife, essa cidade contaminada de luz e expressão.

Depois a minha amada Jô, que foi uma mãe, uma amiga, uma companheira, uma amante de Bethânia (com ela deu pra dividir...rsrs), uma faísca de engrandecimento, um turbilhão de amor. Depois a Orelly, que acima de tudo foi um forte e intenso pai. Foi, é e será para sempre. Sem palavras para definir o quanto me ajudou. Mesmo calado. A Neili e ao Cláudio, que foram fantásticos em tudo. Na companhia, nas loucuras, nas percas, no quarto, nos cafés da manhã (apesar de eu sempre acordar mais tarde e eles já terem tomado...rsrs), nas andanças, na compreensão das diferenças, nos meus delírios e escândalos. Vocês são divinos! A Lúcia, que além de linda, é uma carinhosa anfítriã, uma guerreira sorridente. Talvez eu não tenha me dedicado à ela, como ela merecia, peço sinceras desculpas, mas é que lá não tinha razão, apenas êxtase de emoção por tudo. A querida Genita, que apesar de estar somente um dia com ela, foi o dia. Me acolheu como uma roupa quente em dias de inverno, me proporcinou o mais nobre carinho. E enfim, para fechar com chaves de ouro... Ângela! Simplesmente, minha anja. Em todos os instantes. Obrigada por TUDO!

Obrigada a cada um que passou por mim, que me sorrio, que me abraçou com verdade, que apertou a minha mão, que me olhou com atenção, que me dirigiu palavras tão calorosas. Foram muitos!

À Bethânia é amanhã, ou depois. Porque ainda não me recuperei. =)

Um beijo do tamanho do mar, com a beleza de Olinda, cheio de luz como o Recife.

Dani.

sexta-feira, 28 de março de 2008

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Fernando Pessoa.


Boa Noite Meninos, Boa Noite Meninas!
Demorei, mas aqui estou.
Como hoje o dia foi cheio de multidões para mim, até agora a pouco, postarei algo mais "só". Não que seja esse meu exato estado de espírito, porém, o meu desejo de alma de ficar "cá comigo mesma". AMO o calor humano, entretanto adoro o silêncio do corpo frio. Peço que não confudam com egoísmo, pois como já dizia Pascal O egoísta odeia a solidão.
Ficarei cá, não só comigo mesma, mas na companhia deliciosa e poética de vocês.
Aqui nós podemos ser...

Mãos a obra!

As pessoas fogem da solidão quando têm medo dos próprios pensamentos.
(E. Veríssimo)

Esse primeiro poema que postarei é de minha autoria. Desalinhos... Desalinhos... Desalinhos... Grito do Inconsciente. Nada mais que isso.
E não avaliem (como se isso fosse possível) a obra pelo autor, mas sim, pelo "eu-lírico" dela.
Espero que ao menos me julguem. =)

O meu número, a minha peça.

Esse é o meu número, a minha peça.
E eu não importo com a sua opinião.
Estou aqui rasgando os meus traços, porque estou cansada da minha imagem.
No momento estou enjoada da rotina de ser eu.
Então, quero que saiba que esse é o meu número e a minha peça.
Quero que vá para um lugar distante com a sua.
Porque aqui, o cenário é só meu.
Aqui, eu posso andar nua, posso fazer minha poesia, posso declamar meus versos, amar da minha forma, não importar, e importar quando preferir.
Aqui, eu posso roubar no jogo, porque o jogo é meu. E posso enganar, e posso brincar, e sorrir, chorar, e espernear, cantar, xingar, gozar, brindar, e fazer um monte mais de verbos no infinitivo. Mas o que eu mais gosto daqui, são os verbos no imperativo.
Bata-me, xinga-me, coma-me, rasga-me, beba-me, abraça-me, beija-me, cante-me.
Esse é o meu número, a minha peça.
Eu sou a protagonista e a diretora.
Então, pouco me importa, a sua hipócrita opinião.
Estou nesse momento gritando de dor... E ao mesmo tempo sorrindo do descompasso.
Porque eu não me importo com o seu compasso.
Tudo aqui é estardalhaço!
Fique com seu cabelo arrumado, pois o meu é desorganizado, tingido e avermelhado.
Deixe-me com as minhas unhas ruídas, elas mostram a minha personalidade, e fique com as suas fragilidades.
Não julgue meu quarto, ele não está desarrumado, a “arrumação” é relativa.
Deixa-me com a minha alegria inativa.
Porque esse é o meu número, a minha peça.
Pouco me importa que você se despesa.
Vá, fique com seus amores, que eu fico com as minhas paixões.
Fique com seus perdões, e com as minhas ilusões.
Faça seus padrões que os quebro em meu palco.
Construa sua multidão;
E eu ficarei aqui, com a minha doce forma de solidão.
Porque esse é o meu número, a minha peça.
Daniella Paula.

O próximo é de uma escritora chamada Oriza Martins, chama-se "Encontro Marcado". Tenho lido coisas surpreendentes dessa Senhora. E por mais que nesse poema, ela tenta protelar o encontro com a solidão e vê o mesmo como uma penosa obrigação, ela retrata lindamente esse encontro necessário. Espero que gostem...

Quero atrasar... demorar...
A este encontro faltar.
Gostaria de adiar
O momento implacável
De um encontro já marcado
Em pouco - ou nada - amável.
Talvez o ponto final,

A derradeira parada,
Epitáfio da esperança,
De minh’alma já cansada.
Talvez um céu sem estrelas,
Quiçá um jardim sem flores,
Onde o canto se faz mudo,
Mausoléu dos meus amores.

Como viver sem sentir
O esplendor da natureza
A tortura dos amantes,
Alegrias e tristeza?
E como passar meus dias
Distante dos beijos teus,
Sem nenhuma companhia
Amargando um adeus?
Assim, tento protelar
A penosa obrigação
De ir a este encontro...
Encontro com a... solidão.
Finalizaremos com quem melhor fala por mim: Clarice Lispetor.
Minha força está na solidão.
Não tenho medo nem das chuvas tempestivas
nem das grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite.
Obrigada! Obrigadíssima! Obrigadinha!
E os agradecimentos de hoje vão aos que fizeram da noite de ontem e de hoje, belíssimas noites: Minha irmã de alma, de fé e de espírito Neiva; minha irmã de sangue, de amor e de cumplicidade Gi; Dona Irene, meu carinho em forma de gente, meu respeito, minha admiração; ao Vítor Medeiros que nos proporcinou ontem um êxtase sagrado, através da sua sensibilidade, seus poemas e sua voz; e em especial para o dia de hoje, ao meu irmão Israel, que está a completar seus 30 anos de vida digna, honrada e forte... Muito Obrigada meu irmão por nos dar exemplos tão cheios de base por 30 anos!
Obrigada a todos vocês que me enchem de carinho, amor e alegria.
Um beijo do tamanho da lua. Agradeço a companhia.
Fiquem com Deus, ao som das asas dos anjos!
Dani.

sábado, 22 de março de 2008

Bethânia!

Porque ela é uma espécie de força em minha vida.
Ela é a Rainha principal, do palco que mais respeito.
A entidade humana.
A sensibilidade divina para os profanos.
Os ventos mais fortes e arrebatadores de Iansã. As marés mais densas e suaves de Iemanjá.
As águas mais puras, das nascentes mais férteis de Oxum.
É o meu riso suave e verdadeiro ao vê-la.
É a inteligência.
Os bons ouvidos.
A vitória em forma de voz.
Ela canta a minha vida. Ela traduz meus pensamentos.
Bethânia faz parte de mim, não como uma fã e um ídolo, mas como um poeta apreciando a dor e o belo.
“Ela é tão eu que nos confundimos, salve Bethânia...”



Breve Biografia Poética:

A terça-feira do dia 18 de junho de 1946, era diferente. Desde manhã se sentia um gosto na boca de brisa quente, um perfume de flores do campo por toda parte, o dia tinha cor de frutas frescas, o céu estava azul como o mar, apontando em algumas nuvens sinais de tempestade, o mar estava caymmiano, ou seja, poético e vigoroso, e suas ondas anunciavam à área da praia a chegada de uma nova força a Terra.
Por volta das 16h Iansã sai das florestas africanas e vem ao Brasil, mais exatamente na Rua Conselheiro Saraiva, número 39, antiga Rua Direita, em Santo Amaro da Purificação, na sagrada Bahia, se preparar para trazer à terra brasileira o seu melhor vento, seu mais luminoso raio, a sua filha célebre, que tanto se parece com ela.
A Dona dos Raios e dos Ventos convida a todos os orixás para participarem da festa, festa sagrada. Tocam atabaques, Iemanjá canta no mar com suas ondas, Oxum enfeita o leito que vai receber a Pequena, e Nossa Senhora Aparecida vai até Dona Canô passar-lhe as mãos sobre a cabeça para acalmá-la das dores do parto.
Às 16h40min nasce a Estrela Maior.
Cujo nome, tão encantado nome, foi dado pelo o irmão Caetano. Inspirado em uma música. Dessa inspiração surgiu-se MARIA BETHÂNIA! Uma canção que se deu a mais bela voz.
A pequena sonhava com os palcos. E dizia que um dia estaria neles.
Sonhos nunca são em vãos. E a miúda entidade humana já tinha seus poderes de ver além.
Aos 13 anos “sobe” a um palco, em “off” ninguém a via, mas todos a sentiram; cantando a música: Cadência do Samba.
Descobriu-se ali.
O restante são as demais estrofes dessa história poética da nossa Maricotinha.
A substituição de Nara Leão, o Carcará, a forte personalidade, o novo conceito de beleza, os seus cabelos lindamente desarrumados, sua voz forte e guerreira, sua maneira de flutuar no palco, seus pés descalços, suas roupas brancas, sua fé, seus brasis, seus poemas, seu Ser arrebatador.
Uma predestinação em fazer os outros felizes. Em transmitir amor, paz e muita (muita) força.
A Rainha dos palcos. O deslumbre dos raios e a coragem das águas.
Ela é união dos quatro elementos. Ela é a magia da Bahia.
E se hoje ela é branca na poesia, é negra demais no coração.
Maria Bethânia Vianna Telles Velloso, 61 anos de canto, poesia e inspiração.

Maria Betânia
Composição: Capiba
Maria Betânia Tu és para mim A senhora do engenho
Em sonhos te vejo Maria Betânia és tudo que eu tenho
Quanta tristeza sinto no peito
Só em pensar Que o meu sonho está desfeito
Maria Betânia Te lembras ainda Daquele São João
As minhas palavras Caíram bem dentro do teu coração
Tu me olhavas com emoção
E sem querer Pus minha mão em tua mão
Maria Bethânia Tu sentes saudade De tudo, bem sei
Porém também sinto
Que nunca te dei Beijo que vive com esplendor
Nos lábios meus
Para aumentar a minha dor
Saudade do beijo Maria Betânia
Eu nunca pensei
Acabar tudo assim Maria Betânia Por Deus eu te peço Tem pena de mim. Hoje confesso com dissabor Que não sabia Nem conhecia o amor

"Para onde vai a minha vida e quem a leva?Porque eu faço sempre o que não queria?Que destino contínuo se passa em mim na treva?Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"
Maria Bethânia.

Obrigada Senhores!

Daniella Paula.


E os agradecimentos de hoje vão a minha querida amiga Angela, que irá me acompanhar ao grande espetáculo da nossa amada Bethânia em Recife, ela que tem feito de tudo para que estejamos lá. A Joana que é uma fã muito especial de Bethâ, e que está nos ajudando muito a ir até ela. E ao Júlio Franciscato que tanto admira o meu encanto pela a deusa da MPB, e ainda me ajuda nas minhas idéias loucas. =) Vocês são uns dilúvios de emoção em minha vida. Obrigada de coração Angela lindona, Joana educadíssima e prestativa (na qual não vejo a hora de poder agradecê-la olhando nos seus olhos) e Júlio amado. Meus Bethamaníacos de alma.


Beijos maricóticos a todos!

quinta-feira, 20 de março de 2008


Boa Noite! Ou melhor, linda noite! Aqui pelo menos, um friozinho acolhedor, Drummond me fazendo companhia, chocolates e café com leite e Enya com a sua lírica bem ao pé do meu ouvido.
Tem coisa melhor? Tem, sim. Poder dividir com vocês emoções, gostos, idéias, ideais, bobagens, sonhos; enfim o que quisermos Ser.

Para essa noite deixarei Vinícius de Moraes e sua suavidade, e depois publicarei um singelo texto- poético da minha autoria, falando da Bossa-Nova e do Nosso Brasil Brasileiro. Espero que gostem.

A Brusca Poesia Da Mulher
Vinícius de Moraes


Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrânciajá me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumasE seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindoComo uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!

*Esse poema me traduz, me retrata, me toca. Sua bênçao capitão do mato! Vinicius é um guia em minha vida.

Minha Bossa, Meu Brasil

Cadê o Brasil da Bossa?
Onde Ary deixou o Brasil Brasileiro?

Será que ele a escondeu num canto no Pelourinho? Ou em uma elegante Rua de Copacabana? Ou terá dado a Vinicius e ele o embrulhou bem embrulhadinho e escondeu pelas tardes de Itapoã?

Bem, não sei bem.
O que sei é que quero a minha Bossa e o meu Brasil, novamente brasileiro.
Quero dar um forte abraço na mulher nova, que está a completar seus 50 aninhos.
Uma moça! Talvez desvirginada, mas eternamente moça!
Chegou aos 50 com um corpo escultural, uma voz suave, um violão bem afinado debaixo do braço esquerdo e um bocado de livros em baixo do sovaco.
Ainda na pele aquele perfume forte e inebriante de Nara e João Gilberto.
E com o tom da pele de Tom, com os chopes de Jobim.
Com o mesmo brilho nos olhos; brilho de Chico, de Buarque e até de Hollanda.
Chegou aos cinqüenta com o gosto da Doce Pimenta.
Ainda com um pouco de tristeza, mas como dizia o poeta, pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza.
Ah, minha Bossa, menina trigueira, mulata brejeira.
Você que fez redescobrir o Brasil.
Numa época de guerra, e de amores mil.
Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida.
Porque tu és a minha mais velha menina.

Bem, não sei bem.
O que sei é quero ver o Brasil dos meus brasis.
Quero poder tirar novamente, a mãe preta do cerrado.
E colocar o Rei congo no congado.
Quero o Brasil que saiba que é Brasileiro.
O Brasil de vários tambores.
Quero o Brasil de muitos amores.
Quero rever o Brasil segundo o padre Simão, que afirmava que aqui era o paraíso terrestre. Mesmo que para isso, assim como ele, eu tenha que ir ao tribunal da santa inquisição. Ser julgada e apedrejada por querer amar algo que não seja em vão.
Ah, meu mulato inzoneiro, meu homem sertanejo, minha baiana de saia rodada, meu mineiro que come queitinho, meu forte paulistano, meu malandro carioca... Onde está sua garra contra a derrota?!
Eu quero te ver de novo como um trovador, fazendo suas belas cantigas de amor.
Se for necessário, para voltar a ser brasileiro,
Venha meu Senhor Brasil, volte para caantiga, para o sertão, deixa por aí a violência, o sem pão. E redescubra os brilhos e ânsias dos seus filhos prodígios, desejando que volte a ser brasileiro, de verdade, de coração.
Polpa – me homem, de desencantar.
Deixe-me acreditar nos velhos carnavais, nas velhas vanguardas, nas suas boas músicas, nos seus verdadeiros filhos, em Caymmi, no seu mar.
Devolva Ary, o nosso Brasil Brasileiro.
Estou farta do Brasil brejeiro.

Daniella Paula.

*Gosto desses pequenos mimos da alma. Não sou escritora, poetisa e nem tenho essas pretensões, mas por vezes me deparo com essas vontades de me expressar. Adoro escrever, para mim é um refúgio.

Os agradecimentos de hoje vão ao Senhor João Carlos Silva Cardoso por ter me enviando um belo texto de "boas-vindas" em meu e-mail, após eu ter dito que voltaria ao blog. Um grande um Homem uma linda mente!
E ao meu querido amigo Flávio, apesar ser "apenas" virtual, todos os dias passa as mãos nos meus cabelos, acarecia minha face e me faz sentir ainda mais amada. Pedi uma idéia do que iria publicar hoje, ele logo me lembrou do poema de Vinícius que tanto retrata a minha vida. Obrigada Flávinho! Gosto MUITO de você!

Obrigadíssima Senhores (como diria Maricotinha) por estar revivendo comigo!
Tenham uma boa madrugada e uma sexta-feira santa de paz, amor, união e de Jesus no coração.

Beijos... Com carinho: Dani.