terça-feira, 17 de junho de 2008

SOU EU

Tela: Lucian Freud
Boa tarde senhores!

"A saudade me trouxe pelas mãos..."
Este "Sou Eu" é uma melancolia poética. Estou tão ousada com isso aqui... =] Até "melancolia poética" estou fazendo-os ler. =)
Vamos à melancolia (é bom ser piegas de vez quando)

Sou Eu

“Sou eu quem alivia suas duras cólicas de vida.
Sou eu quem suporta suas falácias paixões mundanas.
Sou eu quem tolera as suas instáveis transgressões.
Sou eu quem perde as madrugadas de sono, para suprir sua sede de atenção.
Sou eu quem calça seus pés frios nas noites de inverno e protege seu corpo dos ventos cortantes.
Sou eu quem congela a própria alma para restituir apenas a sua.
Sou eu quem se dilacera da grande fome para alimentar todo o seu Ser.
Sou eu quem se perde na vida, para traçar os caminhos tortuosos e poupar-lhe das dores.
Sou eu quem morre todos os dias para dar infinitude ao seu espírito.
Sou eu quem adentra o mais tenebroso pélago, para poupar-lhe da tassofobia.
Sou eu quem eclodi o meu ser para renascer na sua verdade de vida.
E essa é a minha única forma de saber existir: Amar nuamente o seu coexistir."

Daniella Paula

Um cheiro nos cangotes de cada um! E um brilho no olhar ao ler os carinhos de vocês...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sua covardia em meu Ser

Boa noite!
Um poema para as minhas poesias. Obrigada pelos e-mails, senhor Edinásio, Érica, Évin, João e Nina (A Nina tirou cópias desse meu "isso" e distribuiu pra todo mundo!).

Sua covardia em meu Ser

Você poderá amar outros corpos, beijar outras bocas, percorrer outros seios.
Mas sou eu quem estará em suas entranhas, escorrendo pelo seu suor, derramado na outra.
Poderá sentir prazer com várias.
Mas sou eu quem estará em seu gozo, nos seus olhos fechados e orgásticos.
Poderá deitar-se em outras camas, escorrer em outros lençóis.
Mas é a minha cama e os meus lençóis que o seu intimo desejará.
Poderá sorrir descompassado logo o após.
Mas o seu sorriso verdadeiro virá quando lembrar do meu sorrateiro.
Poderá apaixonar-se diversas vezes e perder-se nelas.
Mas só encontrará a paixão quente em meus lábios, ao meu lado.
Só amará o meu ser. Só se eternizará nele.
Continue a se perder nesse labirinto que escolheu, com medo do meu mistério. Até cansar-se, querer morrer em meus braços e calar-se em meu espírito. E eu estarei aqui, castiça e pura para limpar-lhe da sua covardia, do seu medo e do seu desejo sujo.

Daniella Paula

Tenham todos uma linda e poética noite!
Obrigada por percorrerem os olhos pelos meus gritos do Inconsciente...

domingo, 8 de junho de 2008

Estacon

Boa Noite!

Segundo Érica Moraes, uma grande amiga jornalista, o nome deveria ser: “A poesia da morte”.
É um conto breve e branco, não tem enfeites e nem grandes palavras. Mas é quente, e eu espero que vocês sintam o quente dele.
ESTACON

Era uma noite fria, nebulosa, de ventos fortes e úmidos, era uma sexta-feira.
Ela sentia desde cedo o obscuro do dia.
Tomou o seu café preto, com torradas e geléia. Banhou-se, perfumou-se com um cheiro cítrico irritante, colocou seu palitó empoeirado; empoeirado devido o clima da cidade, que quase nunca fazia frio. Nessa sexta-feira fez. Fez até demasiado. E foi-se há enfrentar seu dia.
Trabalhou em seu serviço banal e como todos os outros trabalhos extremamente significantes. No pouco tempo que havia para o almoço, comeu ligeiro, limpou os dentes, leu atrasada o jornal e voltou ao seu rotineiro trabalho.
Tudo parecia normal e estagnado como o de costume.
Quando na volta para casa, após passar na padaria, na livraria e na casa de flores, ela se vê deparada com o susto de viver.
A menina pediu as suas flores. Ela sorriu descompassada mente e ficou por alguns instantes sem ação. Disse que havia acabado de comprá-las e não queria desfazer delas. Perguntou o que a menina queria com as flores. É quando começa o conflito.
- É para o meu velório – disse Haia com um sorriso sonso.
De princípio assustou com a resposta da menina, depois deduziu que era uma brincadeira de criança e completou:
-Não brinque assim, menina! Agora é que não dou as flores, isso não teve graça. Cadê seus pais?
- O que importa saber? Eu só preciso das flores. Não existe ritual de morte sem flores e nem velas, pois bem, as velas eu consegui, também não importa como, só preciso das flores agora. Por favor, dá-me as flores?!
O susto veio mais forte, começou pelos pés até chegar ao seu mais profundo abismo de ser. Não havia graça nas palavras da menina. E ela simplesmente não poderia ignorá-la e seguir adiante, também não poderia mostrar-se desesperada. Ainda não havia chego a esse ponto.
- Ritual de morte? O que está havendo com você? Que brincadeira é essa? Faremos assim, a deixarei em sua casa, assim que chegarmos lá, darei as flores a você. Combinado? – Estava confusa. Isso não acontecia todos os dias na sua rotineira vida.
- Por que tantas perguntas? Eu só quero as flores, oras! Não iremos para minha casa, não há casa. Existirá depois das flores, que é a única coisa que falta.
Ela já estava suprimida em seu medo. Tarde demais para esquecer aquilo e seguir sua realidade inventada.
- O que fará se eu entregar-lhe as flores?
- Prepararei o ritual. Tem que ter ritual, senão não há morte.
- Eu não consigo compreendê-la! Por que deseja morrer?
Já estava envolvida demasiadamente na história de Haia.
- Não deve mais fazer perguntas. Entregue-me as flores e vá se embora. Ou nunca mais será a mesma diante da sua incompetência de viver. O tempo está esgotando, preciso preparar o ritual, antes de deixar-me.
Entregou trêmula as flores e com as pupilas dos olhos dilatas por lágrimas; acabou-se sua Tabula Rasa.
Haia agradeceu com um sorriso pálido e disse:
- Eu que sou talassofóbica, adentrarei o meu pélago.
Deu as costas e seguiu em passos fortes, pesados e rápidos.
Não havia como não segui-la, não havia como ir para casa dormir, após encontrar uma menina com palavras desafiadoras, dizendo que precisa preparar a sua morte.
A seguiu.
Haia tinha cabelos loiros encaracolados, uma pele muito branca, lábios sem sangue, olhos pretos amarelados, baixa estatura e aproximadamente doze anos de idade.
Ela precisou correr para poder alcançá-la; imaginou que a menina não soubesse que estava sendo seguida, mas ela sabia.
Após minutos de andanças, becos e becos, trilhas e trilhas; Haia pára em uma rua sem saída, sem luz, sem presenças e começa a preparar o seu ritual.
Ficaremos nesse momento de longe a observando.
A menina acendeu as velas, despe talou um pouco das flores e ajeitou ao lado das velas o que sobrou. Chorou como se sentisse um “leguelhé”. Tirou uma navalha da meia e cortou os pulsos, dessa vez sem choro, sem desespero, passivamente, como se não sentisse dor.
Ouve-se um grito, não era de Haia, era dela que tentava fazer com que a menina parasse.
Exclamou diversas vezes: “pare, por favor, pare”.
E Haia pediu para ela não se aproximar, e soou já quase em posição dorsal e quase sem sangue e com um leve sorriso:
- Obrigada por ter vindo, era preciso um choro desesperado e de perca, para o ritual.
Não sinta por mim. Você também está morta. Viver, por fim, acaba nos fazendo morrer. Eu abortei o meu caminho e você está prejudicando o feto, até ele por si só, abortar-se.
É o meu escaton e para você a epifania.
Já não havia mais sangue para mantê-la viva, não havia mais voz para os seus mistérios, não havia mais nela a sua parte Haia. A menina a libertou para a vida e matou a sua Haia.
Jamais poderia ser a mesma, presenciou um suicídio, talvez de uma parte de si mesma, talvez o seu próprio suicídio ou ainda, sua renascença para o viver.
Com a menina ainda no colo, disse essas palavras como uma prece:
“Jorra o teu sangue no meu eu.
Entre com suas entranhas em minhas entranhas.
Flui com a sua leveza a minha palpitação.
Invada-me com os seus órgãos, os meus sentidos.
Quebre o meu mundo com suas avalanches decodificadas.
E por fim, faça-me esquecer de me prometer à vida e vivê-la.”
E mais que nunca desejou entender o humano, clamou:
“Quero ter a perdição como guia, para desvendar o segredo da existência humana. Já que para fazê-la é preciso entrar em um descaminho”.
Aquela sexta-feira de frio intenso e vento úmido, com uma menina suicida, fizeram com que eclodisse o seu espírito opaco, para restituir toda a sua alma brilhante.
Era a sua epifania, mas antes, o seu estacon.

Daniella Paula

Agradeço à Érica, sempre gentil e poética.
Agradeço vocês, pelas boas palavras, pelos sensíveis olhos, pela doce cumplicidade!

Um beijo do tamanho da saudade que eu estava daqui.

domingo, 18 de maio de 2008

A dor de Ser.


Hoje não há introdução. Não há nada com exatidão, então ficaremos com o silêncio das palavras, e as entrelinhas pertecem a vocês.

"Não há amor de viver sem desespero de viver".


A dor de Ser.

Eu poderia suportar qualquer dor que não fosse essa dor criada por mim.
Ela pulsa, geme, grita e agoniza. E não sai lágrimas, e não dói o corpo.
Machuca e não sangra.
Sinto-me suja como as ruas após a grande ventania.
Quero limpar-me o seio com pingos de vela escaldante de quente.
Quero correr para outros mundos que não me dilaceram como esse.
Conhecer novas artes que não me tortura como essa que estou a pintar.
Quero respirar novos ares que não sejam esses que estão a me sufocar.
Voar, voar... Até o mais infinito estar. Estado de graça, estado puro e primitivo do meu ser.
Comer o liquido branco da barata; entender o amor no seu mais deformado estado, sem moldes, sem parasitas, apenas com a dor de nascer e nada entender. Pois a dor de entender fere mais.
Quero habitar o nada e limpar-me deste tudo que tanto me coroe.
Transgredir a um sagrado e livrar-me das ânsias mundanas.
Quero viver em outro eu que não seja o meu.
Desejo o meu pélago, o meu mais profundo coexistir.
Pois não agüento mais essa dor de deparar com as surpresas do meu existir.
Dói e fere ficar aqui.
Quero deixar de tragar esse inteligível mundo. Para poder aspirar ao entendimento do meu eu paleolítico.
Como causa susto viver... Como causa susto o que foge da compreensão.
Não quero a morte porque ela é pouco e fácil. Quero a tarefa mais difícil, quero entender o meu oficio.
E assim viver na pacata e bucólica paz, pois não desejo mais o aprendizado do espírito aflito. Eu abro mão dele, para respirar a embriaguez de puro dos santos.
O santos aliviam as dores, e dói Ser.

Daniella Paula.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A PAIXÃO DO SERESTEIRO

Bom Dia! =)
Acordei apaixonada pela noite! =D

Falaremos então, da paixão do Seresteiro.

Boa leitura!

A Paixão Do Seresteiro

Lá se vai o seresteiro da noite
Disvirginar a madrugada.
Esse é o seu papel de ser,
E ele todos os dias ao pôr do sol
Realiza o seu teatro.
Apaixona-se e faz apaixonar.
Encanta e é desencantado.
Ama e faz ser amado.
Mas tudo se finda no primeiro raio de sol.
É quando ele volta a ser o homem preso em sua gaiola.
Esquece a dureza da liberdade,
E acostuma-se com o conforto das algemas.
Na anunciação da aurora,
Seus olhos choram, já com a saudade da noite.
E quando se vê abrindo seus olhos, nada quer enxergar.
Quer ver apenas a escuridão poética da noite.
Não deseja o calor do dia,
Porém se enlouquece de tesão com o frio da madrugada.
Entristece-se com o café preto, amargo e caótico que representa a manhã.
Endurece-se com o cantar dos pássaros que avisam o seu percurso do dia.
Enquanto a banal platéia se alegra com o nascer dos primeiros raios de sol,
O seresteiro se enfurece com a ardente esperança inventada.
Ele gosta é a da noite, cria da sua costela.
Gosta é da madrugada, sua magrela recalcada.
Gosta das suas paixões instantâneas;
Dos seus instantes repentinos de êxtase sagrado;
Das suas serenatas em noites de lua cheia;
Do seu vinho doce e quente;
Dos raios mais perceptivos durante a escuridão;
Ele gosta é do seu teatro.
Ama o manto negro da noite e o sereno da madrugada.
O silêncio do escuro.
A solidão da lua.
O sagrado da boêmia.
A exaltação da superação de mais um dia que a noite traz.
Ama o descanso do fim do dia.
O murmúrio dos fantasmas noturnos.
A canção do vento cantada com o obscuro.
Os compositores sonâmbulos.
Os andarilhos sem rumo, sem nomes e sem lares, traiçoeiros e vulgares.
As ruas vazias, distantes da multidão do dia.
O céu da noite, quando ele tem estrelas e quando não as tem.
Porque entende que o céu da noite é sábio o suficiente para saber, quando deve e quando não deve, soltar suas meninas.
O seresteiro detesta a farsa das prostitutas da tarde.
E se encanta com as suas pernas de fora durante a noite.
Não suporta a forma de ganhar dinheiro durante as manhãs.
Idolatra os poetas e cantores noturnos, que passam o dia dormindo;
Assim como idolatra a insônia dos andantes.
E o perigo dos amantes.
Vibra com os olhos cansados percorrendo linhas e linhas, de um livro lido durante o “chegar a casa”.
Excita-se com os perfumes fortes e misturados dos boêmios.
Enjoa-se com o cheiro cítrico das manhãs e das tardes.
Fascina-se com o silêncio dos apreciadores da madrugada.
Enfurece-se com o barulho escaldante da fábrica ligada.
Ele só sente o sabor da comida a noite, quando é possível apreciá-la sem a pressa do almoço.
O seresteiro enche seu peito de paz ao ver os sonos das crianças.
E de vida ao ver o choro do recém-nascido e a perca de sono dos seus pais.
Os automóveis correndo em direção contrária e correndo, porque na madrugada é possível.
Na madrugada tudo é possível.
E quando surge o raiar do dia, o seresteiro sente uma dor no cotovelo, uma melancolia de falsa esperança, uma enxaqueca inventada, uma angústia sem ritmo, uma fome do que não seja óbvio, uma nostalgia.
O seresteiro tem tanto da noite que ambos se confundem.
Ele a tem como paixão, enquanto ela o recebe apaixonada.

Daniella Paula

E o agradecimento de hoje irá ao Senhor Edinásio. Ele diz ser meu apreciador, diz que eu sou "os dedos que falam" e "os olhos que guiam", mas na verdade, ele é quem é uma espécie de "sacerdote" literário em minha vida, e receber qualquer palavra que venha dele é sempre uma honra para mim. Sobre o texto poético, ele o resume em "a embriaguez da noite". Coisas de homem sensível. Quando disse a ele, que postaria o texto aqui, ele logo avisou: Mande cuidarem bem da minha noite e terem sensibilidade ao ler suas palavras. =) Achei isso lindo!
Um agradecimento em forma de sentimento puro a ele.

E muito obrigada a todos vocês! São incríveis acariciadores da minha alma.
Dani.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Grande Ritual


Boa tarde minhas senhoras, boa tarde meus senhores!

A Gruta me desmascarou! :p (rsrsrs).
Por mais que a razão literária e hermenêutica nos dizem para não julgar o autor pelo texto, não tem jeito, por mim, acaba sendo um reflexo.

Bem, eu não consegui fazer algo que relate o que foi o Show de Maria Bethânia e Omara Portuondo. Mas como tentei e disse que voltaria para contar, postarei alguma coisa que as palavras conseguiram expressar.
E o que eu não consigo dizer é mais importante.
Portanto, ficará aqui apenas o que a minha sensibilidade (com uma dose exorbitante de “fã-nátismo-bethânico”) conseguiu descrever.
Desculpam-me a minha falta de capacidade de relatos grandes. Esse show ultrapassou os meus limites de Estar. Atingiu o meu limite de Ser. E me adentrar e exteriorizar o que há dentro é sempre muito difícil para mim. Dessa vez, espero compreensão.

Que vocês gostem do espetáculo de Dona Maria e Dona Omara, contado por Daniella. =)
Bom show, senhores!


O Grande Ritual


E como um vulcão borbulhante de fogo movediço ela entrou em seu território.
Fez-se então, os delírios dos outros.
Não há que não entre em transe ao vê-la em seu palco iluminado, e seus olhos vestidos de dourado, seu corpo transcendendo toda leveza que possa existir. Ela nos fazendo coexistir.
Sua voz que nos arrebata a outras infinitudes.
E ela canta.
Canta como se estivesse fazendo um amor sagrado, num templo pagão.
E as suas mãos...
Suas mãos dançam em direção às faíscas deixadas pelas palavras. Assim elas tomam voz.
E quando faz silêncio, sentada ao contemplar o papel de ser da outra, ela nos permite o êxtase de saboreá-la sem letra.
E o coração palpita com a agonia de não poder tocá-la. Mas a razão agradece por esse fato, pois sabe que seria invadida pela emoção.
E o sangue ferve em banho escaldante ao senti-la próxima e palpável aos olhos.
E os pés se retorcem com vontade de sair do chão e flutuar juntamente com os pés dela, ao lugar de sua exaltação.
A boca seca por faltar palavras. A boca molha por sobrar sedução.
E ela seduz.
Seduz como a serpente querendo devorar.
Devora como ondas fortes do mar.
Sorri como se fizéssemos parte do seu sorriso.
Ela invade nosso riso.
Ela transborda nossas pupilas de lágrimas.
Interpreta nossos sentimentos, nos amarra com os seus cabelos e nos arremata com as suas pernas.
Incorpora o swing das negras, se retorce como se quisesse sair de si. E sai.
Ali é a entidade pagã, e ao mesmo tempo sagrada.
Ali ela nos permite o puro e o pecado. A perdição e a salvação. O êxtase e a loucura. O grito e o silêncio. O morrer e o renascer. O machucar e o curar.
Depois ela nos toma toda com os seus olhos forjados e seus agradecimentos falaciosos e divinos.
Encosta a ponta dos dedos no chão sagrado, e como se fosse uma menina sorrateira, declama: “Obrigada Senhores!”.
Fecha as mãos, aperta o punho e nos concebe a graça.
E depois se vá, com os dedos apontando o céu. Deixando-nos a glória, e com tanta explosão que não sabemos o que fazer com tudo aquilo depois.
É mais que um espetáculo, é um ritual, é um despersonalizar para se recriar ali.

Salve, salve Bethânia!

Daniella Paula

É pouco, é muito pouco para tudo que vivi. Mas, eis ai um "fragmento" de uma noite sagrada.

Ao final do show, conseguimos (eu e Ângela) um encontro com ela. Foi quando vi a Maria Bethânia humana. Um abraço acolhedor, um sorriso doce e forte, olhos fixos e atenciosos, um cangote cheiroso (rsrs), uma cintura fina, cabelos presos, pés pequenos, baixa estatura (mas para mim continua gigante), uma voz mais rouca e mais grossa do que apresenta e mãos que falam; e que seguraram firmes nas minhas e soaram fé, amor e humanidade.

E os agradecimentos de hoje irão a Deus, primeiramente, por ter nos concebido tamanho Ser Humano. Depois a Iansã que é o orixá de Bethânia, por ter feito tamanha proeza, com tanta leveza. E a Ângela, novamente, por ter me dado a oportunidade de estar com ela, e a Jô que nos colocou tão perto de Bethânia que dava para "comer" seu cuspi (rsrsrs).

Maribeth arrasa!!! É linda em todos os sentidos (Sim, eu consigo achá-la!).

E eu não vejo a hora de estar novamente, em mais um "ritual bethânico"! E dessa vez é rezar, para que a arritmia cardíaca não ataque, ou ataque de vez e eu possa desmaiar nos braços dela...(rsrsrs).

Beijos grandes a todos vocês. Muito obrigada pelo carinho, pelas belas palavras, pelo o entendimento dos meus "eus", por passarem as mãos em meus cabelos e me fazerem tão especial.
Obrigada por rever e reviver comigo =)

Muito Obrigada Senhores!

domingo, 27 de abril de 2008

A gruta.


Boa madrugada gente bela! =)


Sabem, ainda não consegui algo palpável aos olhos para falar sobre o show da Grande. Portanto, publicarei outra coisa. Até que meus dedos encontrem algo para definir o encontro com MARIA BETHÂNIA.
Por hoje, falarei de outro encontro. O encontro com a Gruta. A gruta interior que há em nós. Essa (talvez) seja a minha. Espero que de alguma forma vocês se encontrem e se percam dentro das suas grutas e dentro da minha gruta.
Lembrando-os que nada aqui é pretensioso. Só quero ser. E quero que vocês sejam, pois aqui NÓS PODEMOS SER!

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses. (Sócrates)

Mãos a obra senhores:


A GRUTA

Perder-me nessa gruta silenciosa diferencia-me das criaturas que apenas vivem.
Ela me cala perante a sua nebulosa e escura face. Face negra em contraste com o branco pálido.
Quando quebro a máscara que me retém, que me faz ser vista nos olhos dos demais, deparo com essa gruta. Obscura, tempestuosa, lacrimosa, sangrenta e sonhadora gruta.
É ela quem me faz. Não a simbólica máscara bela.
É então, que me quebro em pedaços, para saber em quantos pedaços se faz alguém como eu.
Nada descubro. Somente o escuro. E para se ver no escuro, é preciso fechar os olhos.
A gruta é infinda; cheia de labirintos que nos leva a mais assustadora descoberta.
Surge-se o susto de viver. Surge-se o susto de ser eu.
Às vezes não quero voltar, quero ficar dentro dela, pois me perder nela significa encontrar comigo.
É um duro, denso, intenso e escuro encontro. Mas é ele quem me dignifica.
Quando sinto vontade de abortar o meu caminho, adentro a gruta, é quando ela me pega pelas mãos (que é, juntamente com os olhos, a parte do meu corpo que pensa) e me mostra os deuses. Quando os vejo dentro dela, perco a coragem dessa vontade, pois não ousaria modificar os seus (bobos) desígnios. E acabo por abortá-lo dias, há dias.
Os nossos encontros sangram como a menstruação da lua. Machuca como a navalha do medo. Assusta como o nascer. Porém, enobrece como o doce e rotineiro amanhecer.
As diversas criaturas que há em mim, são soltas quando entro em contato com a gruta. Elas se alegram e gritam como lobos famintos devorando a ovelha.
As ovelhas que sobram, voltam a viver na máscara.
A gruta maltrata, sim. Mas sem ela acharia que teria fim. E o fim nos faz crer que acabou. Ela não me permite isso, quando estamos juntas, percebo o eco, e ele é eterno.
São encontros que me deixam exaurida, me cansa os olhos, tomam a minha voz, comem minha respiração, bebem do meu odor, saboreiam o meu cheiro e que por fim me enchem de perguntas que me fazem viver para obter respostas.
Talvez a gruta seja uma deusa (cada um tem uma deusa dentro de si, sendo assim), pois é ela quem me salva. E tem o mesmo veneno e quentura materna; coisas de deusas.

Ao revirar da minha consciência para dentro do meu corpo, do meu espírito, encontro a gruta. Ela não sorri muito, mas percebe-se o brilho em seus olhos a me ver chegar. Nunca puxa uma cadeira para eu sentar, ela tem o propósito de fazer com que o encontro seja desconfortável, porém quente. Dá-me um líquido amargo para eu beber, chamado lágrimas. E um pote de doce chamado coragem.
Ela, toda imponente, senta-se no chão e me manda permanecer de pé.
Mostra-me a minha face escura, e os labirintos que há nela. Por vezes, sinto muito medo e tenho vontade de voltar. Mas a silenciosa gruta é amiga, e sempre me traz de volta, por mais que ela queira que eu permaneça lá.
Eu me perco dentro dela, em todos os nossos encontros. E tenho muito medo de me achar. E vivo nesse conflito do medo de me perder e do medo de me encontrar.
Quando saio da gruta, saio sensibilizada com os caminhos, perco a vontade de abortá-lo. Sinto prazer em meu odor e repudio o meu cheiro. Passo a gostar do escuro e a preservar a luz. Eu me torno o seu prosélito. Ela se torna a minha pastora.
Conseqüentemente, isso é promulgado. Os mais sensíveis percebem que com ela eu me encontrei, que com ela eu me perdi.Ela é o infinito que me fará eterna.


Daniella Paula


Essa uma exaustão de alma. Como já disse por aqui, não espero a compreensão, isso é demasiado para mim. Busco apenas ser amada, com essa gruta, com esse palco, com essa peça. =)
Relembro as palavras belas de Josemaría Escrivá, que nos diz: O conhecimento próprio leva-nos como que pela mão à humildade.

O agradecimento de hoje vai à VIDA. Que veio hoje com o nome de: Gustavo! Meu lindo sobrinho. Que eu infinitamente já amo. Deus abençoe seus passos na Terra e os seus olhos no mundo.

Obrigada a todos vocês que deixam estrelar os mais belos sentimentos no meu céu.

Com carinho: Dani.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O meu Amado Recife!


Que saudade disso aqui!

Estive em Recife. Meu Deus! O que é aquilo? Não sei descrever. Talvez meus olhos saibam. Quem olhar para eles, quando eu disser a palavra: Recife! Compreenderá.
Nem saberei descrever tudo que lá vivi, todos que lá conheci, todos e tudo que lá deixei e que na mais doce lembrança veio comigo.
Sinto tanto saudade!
“Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.”

Dona Sophia (Sophia de Mello Breyner) tem a melhor definição sobre essa saudade:
"Num deserto sem água, numa noite sem lua, numa terra nua, por maior que seja o desespero, nenhuma ausência é mais profunda que a tua!"

Tentei fazer algo, com uma literatura um tanto sem base, simplória, inofensiva, modesta, vã e que não chega nem na mais vaga idéia de grandeza e beleza de Recife; para tentar explicar, tão belo e tão forte foi o que lá vivi e senti. Não espero a compreensão, é muito para mim, não mereço tanto. Porém, espero que vocês sintam, pelo menos, umas cócegas nos olhos, uma faísca de luz recifense no coração.

Vamos até Recife:

O meu Amado Recife!

As ondas que deixam suas mensagens poéticas na areia.
O céu azul que se finda dentro de nós, mas que se infinita no seu leito eterno.
As ruas loucas de pensamentos tontos, embriagadas pelo cheiro da maresia.
As longas e árduas ladeiras, fazendo o seu barroco faiscar-se.
A voz negra das esquinas, que canta o eco do estomago.
A pisada das danças que fazem cintilar a beleza dramática do coexistir.
As morenas, as negritas, as azuladas, as negras ouriçadas colam seus corpos esculturais no corpo das esculturas locais. Tornando-as uma só.
A arte crente, orgástica, que nos mostra o talento infindável dos seus filhos prodígios.
Os seus poetas célebres, os seus poetas andarilhos, sua literatura de cordel, seus dedos mágicos, tudo o torna o depósito de pensamentos humanos.
O rio ao lado do mar, o mar ao lado do rio e eu sorrio, porque sobre isso, só o singelo sorriso sabe explicar.
Os vendedores ambulantes que se tornam amantes dos becos e dos mares.
A brisa doce, com gosto de mungunzá e suco cajá.
O vento que dilacera a alma, e que em nenhum outro lugar há de ventar.
O Capibaribe e o Beberibe que o corta, deixando-o em estilhaços de água lacrimais e inebriante de luz.
Seu povo honroso, sua brasília teimosa; seus órgãos sujos, em contraste com seus poros imaculados.
Brennand e sua floresta, seu oxóssi de mistério, sua mente de luxúria, suas mãos de loucura, encantam a cidade, desvirginada pelo seu sexual puro.
Os inteligentes navios ancorados. Os sábios pescadores descansados.
E o mar...
Ah, o mar!
Ele que nos quebra com seu aconchegante abraço; que nos dá rasteira com suas coxas grossas; que nos ama com seu órgão quente; que nos beija com sua boca salgada; que sussurra ao “pé” dos nossos ouvidos sua louca e inconstante música; que entranha suas entranhas em nossas entranhas; que faz da sua calma um estardalhaço; que pinta em seu céu sua obra de arte azul nostálgica; que declama na areia suas poesias falácias; que limpa nossas diversas almas e arrebata nosso frágil espírito.
Ele. Ele único e soberano, perto de nós, frágeis mutantes.
O homem grande, a mulher gigante. O deus Posêidon, a deusa Iemanjá. Ambos se incorporam e tornam um só: O mar, o mar.
E pode haver outros mares, mas nenhum igual ao de lá.
Vivo a imaginar, o dia em que poderei voltar a ficar no seu corpo colada, como o baobá enraizado na sua terra.


Daniella Paula


Depois que voltei, escrevo todos os dias. Gostaria de postar tudo aqui, mas é pretensão demais. E vocês enjoariam de tanto amor ao mar, a Recife, às ondas, às ruas, às pontes, às pessoas...

Obrigada pelo carinho aconchegante de todos. Depois, postarei sobre o GRANDE SHOW DE MARIA BETHÂNIA - Minha Primavera maior.


E os agradecimentos de hoje irão, primeiramente, a Recife, essa cidade contaminada de luz e expressão.

Depois a minha amada Jô, que foi uma mãe, uma amiga, uma companheira, uma amante de Bethânia (com ela deu pra dividir...rsrs), uma faísca de engrandecimento, um turbilhão de amor. Depois a Orelly, que acima de tudo foi um forte e intenso pai. Foi, é e será para sempre. Sem palavras para definir o quanto me ajudou. Mesmo calado. A Neili e ao Cláudio, que foram fantásticos em tudo. Na companhia, nas loucuras, nas percas, no quarto, nos cafés da manhã (apesar de eu sempre acordar mais tarde e eles já terem tomado...rsrs), nas andanças, na compreensão das diferenças, nos meus delírios e escândalos. Vocês são divinos! A Lúcia, que além de linda, é uma carinhosa anfítriã, uma guerreira sorridente. Talvez eu não tenha me dedicado à ela, como ela merecia, peço sinceras desculpas, mas é que lá não tinha razão, apenas êxtase de emoção por tudo. A querida Genita, que apesar de estar somente um dia com ela, foi o dia. Me acolheu como uma roupa quente em dias de inverno, me proporcinou o mais nobre carinho. E enfim, para fechar com chaves de ouro... Ângela! Simplesmente, minha anja. Em todos os instantes. Obrigada por TUDO!

Obrigada a cada um que passou por mim, que me sorrio, que me abraçou com verdade, que apertou a minha mão, que me olhou com atenção, que me dirigiu palavras tão calorosas. Foram muitos!

À Bethânia é amanhã, ou depois. Porque ainda não me recuperei. =)

Um beijo do tamanho do mar, com a beleza de Olinda, cheio de luz como o Recife.

Dani.