Não, não precisa me enganar,Inventar essas coisas banais, sem vida, sem anais,
Para consolar o meu peito sem leito.
Pode retirar suas palavras do meu ouvido
Quebrar o mundo fingido.
Pode limpar com navalha o seu perfume dos meus poros.
Pode apagar sua imagem dos meus olhos.
Vá, corra para não perder o trem que a levará para os raios de sol, após tanto tempo vendo a lua. Mas, pegue seu cachecol, para onde vai, não poderá andar nua.
Não se esqueça de pegar seus cálculos e devolver meus autos.
Pode ficar com o “Auto da barca do inferno”, Gil Vicente lhe mostrará o inverno.
Deixe o “Auto da Compadecida”, Suassuna entende a minha vida.
Leve seus discos de Nirvana.
Devolva os meus da Bethânia.
Você precisará da sua auto-ajuda,
Eu quero só o Neruda.
Leve os cálices de cristais, isso é o de menos.
Eu só preciso dos vinhos chilenos.
Fume longe desses quartos os seus cigarros,
Que eu juro, que esquecerei os seus pigarros.
Retire todos os seus pêlos do meu corpo.
E todas as lembranças da retina das minhas esperanças.
Não precisa mais esperar,
Abandone aqui quem só te fez adorar.
Não vou te segurar.
Vá, e se afogue no mar,
Que você construiu, enquanto fingia me amar.
Daniella Paula
Escultura: Rodin - " O fugitivo do amor"






